Sim, precisamos da fast fashion para assegurar a sustentabilidade

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Foto de Daniela Constantini no Pexels

Pode parecer estranho, mas precisamos dela na luta a favor da sustentabilidade. Sim, podemos continuar a viver na ideia romântica de um boicote às Zaras da vida: comprar mais roupa de marcas nacionais ou sustentáveis, mais roupa em segunda-mão, criar armários cápsula ou viver numa redoma minimalista, mas nada disso vai resolver o problema que temos todos nas mãos.

Não me interpretem mal: sou a primeira a dizer que o caminho que cada um de nós deve fazer, enquanto consumidores, é sem dúvida esse.

Mas compete também a estes gigantes da moda fazerem algo, arrastá-los para o processo e obrigá-los a cumprir metas mais sustentáveis.

Compete também a estes gigantes da moda fazerem algo, arrastá-los para o processo e obrigá-los a cumprir metas mais sustentáveis.

O fashion pact

Em 2019 foi criado o Fashion Pact, que conta com a assinatura de mais de 60 marcas da indústria têxtil. Os gigantes estão lá todos: Intitex, H&M, Adidas, Calzedonia, Mango, Aldo, entre tantos outros. Juntos representam 1/3 da indústria fashion em todo o mundo. Este pacto tem como objetivo levar à cooperação entre todas as empresas deste setor (precisamente porque sozinhas podem fazer muito pouco) de modo a que o impacto da produção têxtil nos gases de efeito de estufa e no aquecimento global possa ser reduzido.

Por outro lado, também as empresas mais pequenas e mais sustentáveis devem aprender com esta indústria uma coisa que é muito importante do ponto de vista de quem consome.

Um gesto de humildade: também podemos aprender com os gigantes

Existem já muitas marcas cheias de bom gosto e design inovador, mas uma coisa é certa: não se pode entrar no site da Zara sem o risco de ficarmos a babar por muitas das suas peças. Tenho algumas clientes que comentam precisamente isso, que às vezes é difícil encontrar alternativas tão atraentes.

Acho que na perspetiva do marketing estratégico, do design, do estar em cima das tendências, devemos também aprender com eles, com os tais gigantes. Porque muitos não vendem só pelo fator preço, mas porque nem sempre há alternativas que tenham tanto a ver com o gosto pessoal de cada um. Eles são mestres nessa arte.

Precisamos de estar todos juntos nisto: indústria, consumidores, influenciadores, consultores de imagem, empreendedores, marketeers, designers. Todos. Para que uma indústria têxtil mais sustentável possa um dia, efetivamente, ser uma realidade.

Deixa-me aqui também a tua opinião sobre este assunto ou escreve-me para info@healthyproject.pt

SOFIA DEZOITO FONSECA
Consultora de Imagem e Fundadora do Healthy Project

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